Cuidado na próxima compra…
Estava lendo um artigo da Dra. Patricia Peck e me lembrei do problema do amigo André Noel. Isso me fez questionar: porque consideram a internet uma terra sem lei? Porque jogam no lixo tudo o que levamos anos para conquistar? Não vislumbro outra resposta se não que a distância do consumidor só faz aumentar a certeza de impunidade.
Não raro leio depoimentos de pessoas indignadas com o provedores que bloqueiam download p2p ou acesso a serviços de concorrentes. No artigo a Dra. destaca a maior dificuldade que enfrentamos no mundo virtual que é a questão da prova. Se já era dificil mostrar vicio no produto ou serviço prestado por uma empresa tradicional como agora garantir qualidade nas empresas virtuais?
Pessoalmente tive alguns problema com meu provedor de internet, ele prometia 4MB (down de 400k) mas nos últimos dias não entregava nem 10% do prometido. Como bom geek consegui uma jeito de provar e fui prontamente atendido. Tenho pra mim que isso ocorreu por ser o cliente, eu no caso, um escritório de advocacia e ter na mão prova cabal da má prestação do serviço. Em pouco tempo tudo foi resolvido. Ai cabe questionar: e quem não sabe produzir a prova como fica? Não fica… dança.
A dificuldade de comunicação, ineficiência, despreparo e em certos casos total falta de interesse em solucionar o problema por parte das empresas produz situações de total afronta ao direito do cidadão quanto consumidor. Somando-se a isso o total desconhecimento técnico dos clientes esta situação conduz para uma realidade única no mundo: o boicote as compras via web e a volta da guerra das sacolas nas já apertadas calçadas dos centros de comércio.
Essa situação favorece fortemente o comércio informal, e por vezes ilegal, pois este está próximo e com preços atraentes, dá garantia, troca ou devolve o valor pago sem reclamar. Sabem que bem atendido o cliente volta. O comércio tradicional leva considerável vantagem no Brasil não pela falta massiva de acesso a rede mas pela segurança que um comerciante fisicamente presente passa pois o simples fato de saber onde e de quem cobrar sugere segurança na transação.
O caso do colega Noel é emblemático: Empresa nova lança produto com valores muito abaixo do mercado, atende com presteza todas as solicitações do cliente fazendo-se passar por exemplar comerciante. Se você realmente se seduz por preços baixos sem dar importância a segurança, deixo a vocês alguns conselhos:
- Não aceite imposições como depósito antecipado integral ou parcial. Quem vende um computador de 4 mil reais, por exemplo, deve ter solidez suficiente para adquirir o produto com o fornecedor e depois lhe vender. Desconfie de tudo e de todos, sempre! Existem outras garantias sem ser dinheiro!
- Boas recomendações de pessoas desconhecidas são iguais a zero. Muito comum em sites de leilão pessoas fictícias dando 100% de avaliação para o vendedor a fim de ganhar credibilidade na praça. Faça como no comércio tradicional, confie na recomendação de quem merece confiança.
- FAÇA CONTRATO ESCRITO E COM FIRMA RECONHECIDA EM CARTÓRIO. Muitas empresas vão lhe dizer “contrato? tudo bem” e por carta chega um contrato com três rabiscos ininteligíveis. Saiba de quem realmente está comprando. Se uma empresa não pode lhe garantir que “ela existe, e é ela mesma” (a final de consta é isso que o cartório faz) fuja. É fria. Registrar uma empresa com nome de laranjas ou com documentos furtados é fácil mas enganar o cartório que tem prática em reconhecer de longe tranbiques e documentos falsos é muito mais difícil.
- Guarde todos os e-mails da transação, se possível mantenha a conversa num e-mail, para isso utilize sempre função responder ao invés de enviar novo e-mail, assim fica mais simples provar a transação.
- Confira dados e a situação da empresa no site da Receita Federal na parte de consulta cadastral e entrega de declaração de imposto de renda. Dificuldades nestes cadastros sugerem muita cautela ao comprador.
- “O Google é meu pastor e nada me faltará” são as sábias palavras do amigo Sfair. Sempre pesquise “problemas empresa Z”, ou qualquer outro critério capaz de encontrar fórums ou listas discutindo a qualidade da prestação de serviço da empresa em questão.
- Calma e bom senso. Uma empresa criada a 6 meses que oferece produto 30% mais barato, exige 100% antecipado, não aceita outra forma de contato se não pela web, define longo prazo de entrega e impõe ao cliente mais deveres do que direitos não merece confiança!

E lembre-se sempre, na dúvida procure um advogado!
Excelente post recomendado pelo também excelente blog Efetividade.
Porém, acho que faltou uma pitada de “ajuda ao consumidor”. Poderias sugerir algumas obras sobre direito (e talvez defesa, acho que é este o termo) do consumidor? Nada muito teórico voltado para estudiosos da área. Mas sim algo prático, a + b, simples, pra quem é geek porém não tem uma bola de cristal pra saber com quem está lidando.
Mais uma vez: excelente.
Parabéns.
Muito bom esse post viu!!! Outra coisa que aconselho é sempre conhecer, ao menos, o Código de defesa do consumidor. Consumidor que conhece os seus Direitos dificilmente é lesado por empresas que não cumprem oquê prometem!
Uma consulta interessante seria ao registro.br veja:
http://registro.br/cgi-bin/whois/
Lá você pode ver se o domínio da loja na WEB está registrado para a empresa no endereço físico que eles afirmam estar.
Voce sabe que esse tipo de post fere as regras de blog associados ao planeta né?
Apenas isso.
No mais boa “reportagem”
José (se é este o seu nome),
“Tenho pra mim” significa opinião pessoal, meu ponto de vista, e não uma certeza inconteste.
A rápida solução pode ter ocorrido pela presteza da empresa ou por terem percebido, porque mostrei, que existia prova (esta sim inconteste) da má prestação do serviço!
Tenho certeza que os funcionários que aqui estiveram deram o seu melhor para ver meu problema solucionado, questiono apenas a celeridade face a enchurra de reclamações sem resposta que facilmente encontramos no google!
Fez a fama, deita na cama!
Edson, este é um post introdutório (sem duplo sentido) para o ponto que vai deixar qualquer ubunteiro orgulhoso.
No pŕoximo, que será lançado no foocast e depois neste blog, vou explicar a frase “Como bom geek consegui uma jeito de provar”.
De toda sorte agradeço tua atenção como leitor e estou aberto para críticas e sugestões.
Nada a ver com o ubuntu, e outra advogado se acha melhor que os outros sempre.
Pq era escritorio de advogados resolveram na hora.
Humildade é bom pra todos.
Maravilhoso post!
Teve a manha! Vou indicar esse artigo pra todo mundo que quiser enveredar pelo “consumo online”
Abraços e parabéns!
Concordo com tudo que vc disse, mas gostaria apenas de alertar uma coisa. Em contrato, as operadoras banda larga garantem por escrito e é claro, depois assinado pelo consumidor, que garante até 20% (se eu não me engano) do link contratado.
Sei que isso é a mais pura sacanagem, mas enquanto o seu downstream alcançar essa %, as operadoras estão no direito dela. Se for abaixo disso, como já aconteceu comigo algumas vezes, eles até dão uma certa atenção, apesar de muitas vezes ser muito mal atendido.
Sendo assim, a gente compra um link de 4 mbit, sendo que na verdade temos garantido apenas 80 kbits.
Eita brasilsão!
Amigo seu artigo é bem esclarecedor, ainda mais nos dias de hoje que o dinheiro está cada vez mais difícil de ganhar muitas vezes procuramos o mais “barato” que acaba saindo caro. Exemplo claro o grande número de vendedores do site de leilão (M.L).
so queria saber o que ele tem de relevante com o Planeta…
eis um artigo que deve virar referencia para quem nao tem experiencia (e para alguns que ja tem) em comprar pela internet